Igreja matriz de Outeiro Monumentos


Igreja matriz de Outeiro

 

Em acentuado declive no centro da povoação, a Igreja de Nossa Senhora da Assunção (templo paroquial da antiga povoação de Outeiro de Miranda) é uma modesta construção, característica de um meio rural medieval, de escassos recursos e de âmbito periférico. A sua construção remonta aos anos finais do século XIII, altura em que se procedeu à construção do castelo e à instituição da localidade como centro regional de relativa importância no contexto fronteiriço nordestino.
A história de Outeiro de Miranda evoluiu e regrediu nos séculos seguintes, mas o templo manteve-se praticamente inalterado nas suas proporções e figurino estético essencial, à excepção da capela-mor, actualizada construtivamente e artisticamente no século XVIII. Neste sentido, mantém-se como símbolo de primeira importância do que foram os primeiros tempos de vida da localidade.
Planta simples, composta por nave rectangular e cabeceira de menores dimensões, originalmente com telhado de duas águas e empena encimada por cruz (como Duarte d'Armas ainda a desenhou no século XVI), são os elementos que definem planimetricamente o templo. No interior, o amplo arco triunfal, em curvatura levemente quebrada, domina o espaço, permitindo uma considerável visualização da capela-mor. Em termos decorativos, a ausência é total, sendo os portais despidos de elementos escultóricos e não existindo, mesmo, qualquer cachorrada com modilhões a suportar o telhado.
A característica única da igreja, e que contrasta com o que encontramos na esmagadora maioria dos templos tardo-românicos do interior Norte e Centro do país, é a proeminência do campanário, cuja massa pétrea obrigou, mesmo, ao entaipamento do portal principal. Na origem, este campanário, de duplo arco sineiro terminando em empena triangular, devia sobrepujar a entrada principal, como acontece em tantos outros casos. Todavia, num determinado momento da história do imóvel - por enquanto desconhecido, mas que pode coincidir com as obras do século XVIII -, o reforço estrutural de que necessitava levou à construção de um imponente maciço pétreo, que se adossou a grande parte da fachada principal, e que foi, ainda, reforçado, a poente, pela inclusão de uma escadaria de acesso às sineiras. Com esta solução, deslocou-se a entrada principal para o alçado Sul da nave, que passou, desde então, a ser o único acesso ao interior da igreja.
Com efeito, sabemos que, no século XVIII, teve lugar uma modesta campanha de actualização estética dos principais elementos devocionais, encomendando-se, na altura, um retábulo-mor e dois retábulos laterais, que ainda se conservam. Data dessa mesma altura a nova configuração da capela-mor que, mantendo o mesmo perfil quadrangular, foi alteada e dotada de janelas laterais de perfil barroco.
Praticamente em ruínas na década de 80 do século XX, a população chamou a si a tarefa de proceder ao seu restauro, projecto executado sem o devido acompanhamento técnico especializado. Ainda assim, as obras limitaram-se a consolidar a estrutura, com substituição de telhados e pintura geral de rebocos, factos que não desvirtuaram significativamente o conjunto.

Fonte: Direção-Geral do Património Cultural

Morada: Outeiro

Coordenadas: -6.597443 | 41.686840

Classificação: IM - Interesse municipal

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